Marianna Burelli: “Adoro estar na América Latina, me sinto em casa”

A atriz mora no México e trabalha também como roteirista e produtora l Foto: Cortesia

Originalmente publicado em 22 de abril de 2011 l Esta matéria em espanhol

Nascida na Venezuela em um dia como hoje (22 de abril), a atriz Marianna Burelli está pronta para enfrentar aquele que é seu maior desafio até agora: protagonizar um longa que escreveu e no qual também trabalha como produtora, uma habilidade que descubriu ao se encarregar da realização de seu prórprio curta, Vuelve a Mí (Volte para Mim), que deu origem à coprodução internacional Trace, cuja filmagem está prevista para este ano.

Trace será dirigida pelo mexicano Álvaro Curiel e representa uma nova etapa na carreira da atriz, que durante muito tempo trabalhou no teatro da Inglaterra, onde se formou e viveu por mais de seis anos, além de ter se apresentado em países como Bélgica e Escócia. Sua mudança para o México coincidiu com seu encantamento pelo cinema, arte à qual se aproximou ainda em Londres, quando começou a rodar seus primeiros curtas e a alimentar o desejo de atuar para as telas.

Desde que chegou ao México, Marianna não parou de trabalhar em diferentes projetos audiovisuais, como No One Dies of Love, Férias no Éden, De Morte Natural e A Roleta dos Sonhos, entre outros. Além disso, formou parte do elenco da UNAM (a principal universidade mexicana) que apresentou com sucesso a peça Sonho de Uma Noite de Verão, que hoje caminha para sua terceira temporada.

Na entrevista concedida há três semanas para o ALDEIA CULTURAL, a atriz — que estudou durante dois anos na Suazilândia, um pequeno país ao sul da África, descubrindo ali sua paixão por interpretar — fala da sua trajetória sobre o palco e em frente das câmeras, conta como foi trabalhar em Londres sendo latino-americana e do projeto que leva adiante e que pretende filmar no segundo semestre deste ano.

Entrevista  
Marianna Burelli, atriz e produtora

“Estudar atuação já te coloca numa categoria bastante pequena e dura, porque é um meio muito competitivo, há pouca demanda e muitos atores”.

“Vir da Venezuela tinha suas vantagens, mas também era preciso saber como aparar as arestas pra não se machucar”.

“Adoro filmar na Inglaterra, adoro os atores ingleses, eles têm um tom que eu gosto muito, mas também adoro vir para a América Latina e poder ficar”.

ALDEIA CULTURAL (AC). Como você começou a estudar teatro?
MARIANNA BURELLI (MB). Primeiro eu fiz teatro na Suazilândia. Ganhei uma bolsa aos 16 anos para estudar lá e comecei a estudar teatro, foi a primeira vez que fiz isso. Tinha uma professora de teatro inglesa que me disse que se eu queria me dedicar ao mundo do teatro e do cinema, fosse para a Inglaterra, que ela iria me recomendar. Eu já tinha uma vaga numa universidade para estudar Sociologia e História, mas para não deixar de me candidatar para a escola de teatro, a East 15 Acting School, fiquei e me aceitaram nesse mesmo dia. Foi assim como “e agora, o que eu faço?”. Então, decidi fazer Teatro, estive três anos lá, fiz um curso de teatro físico na Polônia, durante uns meses, nas férias. E uma vez terminados meus estudos de teatro em Londres, montei uma companhia que se chamava VIP Theatre. Montamos uma peça para o nosso projeto final, Caviar & Chips, e nos inscrevemos no Festival Internacional de Teatro de Edimburgo, fomos aceitas, e fizemos uma temporada de um mês lá. Foi incrível, porque estávamos eu — que sou venezolana —, uma amiga minha, que é meio grega, meio irlandesa, e outra menina, que é inglesa. E então fizemos um trio muito explosivo, que funcionava muito bem na peça, era muito divertida, uma tragicomédia, e eu interpretava uma cubana ilegal em Londres, meio prostituta, meio louca. Foi incrível, assinamos um contrato com a Warner Brothers, porque éramos o único espetáculo cômico do festival, sem ser stand-up, de mulheres. Porque havia muitos desses, mas todos eram de companhias masculinas. Como éramos as únicas, se interessaram muito, vieram nos filmar e tivemos os sketches da nossa peça na página do Time Warner Online em 2006. Fizemos uma temporada em Londres, estivemos em muitos teatros da cidade, como o Hen & Chickens, o Canal Café e o Soho Theatre. E nos convidaram para abrir o primeiro teatro em língua inglesa de Bruges, na Bélgica, para fazer uma temporada de quinze dias neste teatro. Estivemos lá, foi tudo ótimo, tivemos críticas muito boas, e depois retornamos a Londres, fechamos uma temporada na cidade, e aí decidi que meu tempo lá já tinha acabado e que queria fazer um pouco de cinema. E então conheci um diretor de cinema mexicano, Ernesto Contreras, que me ofereceu um ingresso para a sua

No curta Payasos, de Jorge Hernández Aldana

première aqui no México, para o seu filme Párpados Azules (Pálpebras Azuis). Ele veio para a última sessão da minha peça na Inglaterra. E me disse: “Marianna, te convido para a première do meu filme, você conhece gente no México e vê como vão as coisas”. Eu fiquei um mês e percebi que aqui no México a interação com as pessoas era muito mais fácil que na Inglaterra. Retornei para a Inglaterra em março de 2008. Fiz o primeiro curta que eu dirigi e escrevi, Vuelve a Mí, o produzi com dois amigos, um produtor mexicano, e um inglês que era o supervisor do roteiro. Também o protagonizei. Viajei para Nova Iorque, editamos o curta e o enviei a muitos festivais. Passou por vários, um deles foi o Festival de Cinema Latino-Americano de Moscou, tive contato com uma pessoa que se chama Aleksey Chernyshev. Ele adorou o curta e o apresentou no Festival de Moscou e no Festival de Minsk. Então eu tinha a ideia de escrever uma versão para um longa. E durante a influenza no México, foram dias e dias de claustro, eu não sabia o que fazer, me desesperei, então eu falei: “Vou começar a escrever a versão longa deste curta”. Eu já havia lido vários livros de roteirização, mas não tinha me atrevido a escrever. E comecei a escrever, terminei uma versão e pensei que queria que fosse uma conexão Venezuela-Inglaterra. Inscrevi o projeto para desenvolvimento de roteiro no CNAC (Centro Nacional Autônom de Cinematografia), que é a organização de cinema nacional da Venezuela, e não me deram nenhum dinheiro, então eu falei: “Tá, então, vou fazer uma coprodução com o México”. Quando eu vi o trabalho do Álvaro Curiel, falei: “É ele”. Dei o meu roteiro pra ele, que me mostrou seu trabalho, tinha terminado seu primeiro filme, O Encouraçado, também tinha trabalhado como assistente de direção em milhares de coisas, entre elas um filme com a Tilda Swinton, Julia (de Erick Zonca, 2008). É o diretor mexicano com mais trabalhos de assistente de direção e o diretor mais jovem com maior número de séries dirigidas. É muito bom, então eu pensei: “Tá, vamos conversar”. Leu meu roteiro e me disse: “Adorei a história, Marianna, mas há erros”. Aí eu falei: “Não, eu tenho que me mexer, já tenho o diretor, tenho que continuar me movendo”. Fui para a Inglaterra para visitar meu supervisor de roteiro, com quem tinha trabalhado anteriormente no curta, Adam Dahrouge, e nos trancamos semanas na casa dele trabalhando no roteiro. Retornei ao México, com um draft muito mais decente, mostrei a versão do roteiro para o Álvaro e ele me disse: “Agora sim vamos trabalhar”. E então uns dois meses depois ele me chamou para contar que já tinha conseguido o dinheiro no México, já tínhamos uma produtora, e agora estão decidindo na

Na peça O Último Natal, escrita por Mariana Burelli e dirigida por Fernanda Rivero

Inglaterra se me dão o dinheiro para o filme, porque o inscrevi no Art Council, para que nos ajude com a parte inglesa. Então é incrível, deram-se todas as circunstâncias para que houvesse este interesse internacional na produção. Se tudo sai bem, o shooting schedule (filmagem) está planejado para começar dia 13 de setembro em Londres. Filmaríamos seis semanas ali, retornaríamos em outubro e no começo de novembro faríamos mais três semanas de filmagens no México.

AC. Você vai ter um papel no filme?
MB. Sim, eu sou a protagonista (risos). Porque na verdade eu queria fazer um papel que eu gostasse. O problema que encontrei, e como eu certamente muitos, é que sempre, pelo menos na Inglaterra, eu fazia o papel da viciada latino-americana, a viciada, a viciada… Como se na América Latina apenas houvesse gente drogada e mulas, cocainômanas, sei lá. Então eu falei: “Eu quero fazer o papel de uma pessoa normal , que sofre, que ri, que tem problemas, como qualquer outra, e que não seja tão importante a nacionalidade”. Como diz meu diretor, tomara que eu possa atuar tão bem como o escrevi, tomara que não fique mal comigo mesma.

AC. Quando você saiu da Venezuela não tinha a ideia de ser atriz?
MB. Não, de jeito algum. Eu queria estudar História e Filosofia, ou algo assim. Mas quando cheguei na Suazilândia, tinha que escolher. O programa que a gente fazeia se chama International Baccalaureate (IB), é como o pré-universitário, te prepara em um nível muito alto, então, você tem que escolher seis matérias, três de nível alto e três de baixo. Lógico que eu não queria escolher Física nem Química, isso eu tinha claro na minha cabeça. Já estava em Literatura Inglesa, História Universal, e faltava uma alta. Então eu tinha Artes, que tinha Artes Plásticas ou Teatro; ou Física, Química,

No média-metragem Fles, direção de Sakari Laurila

Matemática, e falei: “Nem louca eu entro aí porque não vou sair nunca”. Então um amigo meu falou: “Entra em teatro, que está incrível”. E foi assim. Entrei no teatro porque não tinha outra opção. E fiquei lá.

AC. E aí você partiu para a Inglaterra.
MB. Sim. Eu não queria fazer teatro clássico, isso não me interessava muito. Então minha professora disse: “Tem uma escola que é maravilhosa, é teatro contemporâneo, East 15 Acting School”. E então eu me candidatei. E nada… tivemos todo um dia de testes e, nesse mesmo dia, no final da tarde, me disseram: “Estamos te oferecendo um lugar no curso de Teatro Contemporâneo: você aceita ou não?” Você tinha que decidir nesse mesmo dia. Eu disse que sim. E pronto, fiquei ali.

AC. Quanto tempo você esteve lá?
MB. Estive um total de seis anos e meio, dos quais três foram estudos de universidade. E logo fundei minha companhia de teatro e fiquei mais três anos e um pouquinho mais. Também trabalhei com a BBC, com rádio, fiz dublagens, montei várias peças de teatro, fiz vários curtas. Fiz um curta com um finlandês que se transformou num média-metragem, tornou-se toda uma ousadia; chama-se Fles, acho que ele está passeando pelos cinemas na Finlândia. Fiz outro curta com um francês, fiz o meu e alguns outros. E quando comecei a fazer curtas eu percebi que também adorava o cinema.

AC. Quais foram as maiores dificuldades enfrentadas vivendo em Londres?
MB.Antes que nada, estudar atuação já te coloca numa categoria bastante pequena e dura, até para os ingleses, porque é um meio muito competitivo, há pouca demanda e muitos atores. Todo mundo é ator, claro, as melhores escolas do mundo, tirando algumas dos Estados Unidos e do Leste Europeu, estão em Londres. Então você pode imaginar; gente de todos lugares do país e do mundo vai estudar teatro lá. Claro, você sai, e se dá conta de que não há trabalho, que o trabalho que existe é muito mal remunerado, então entra num conflito de sair desse mundo de teatro e de fantasia por três anos, de algo muito esperançador você sai para uma realidade que é muito fria, muito dura. Não apenas encontrei essa realidade com a qual nos encontramos todos os atores que nos graduamos, mas também com essa questão de que ‘não sou inglesa’. E sim, havia uma lembrança diária de que eu não era inglesa e não podia optar pela mesma quantidade de trabalhos dos outros, e ainda que meu sotaque fosse muito limpo, neutro, não podia fazer o sotaque de Liverpool, nem de Manchester, então eu me sentia um pouco limitada. Além disso, nesse momento os latino-americanos não estávamos considerados como uma minoria étnica, o  que significava que os meios de comunicação não tinham a obrigação legal de contratar um certo número de latinos. Há mais ou menos três meses, acabam de aceitar isso, agora os latinos têm certos direitos nos meios de comunicação, nas peças de teatro, na Companhia Nacional. Naquele momento eu não entendia muito bem por que era tão importante, mas claro que é. Por exemplo, o National Theatre, a companhia nacional da Inglaterra, tem, por lei, que contar com atores hindus e dos países árabes, porque eles são uma minoria étnica em Londres; senão, seria discriminação racial. Hoje isso acontece com os latinos, incrível! Agora os latinos, sim, por lei, têm que formar parte da comunidade em todos os sentidos. Será muito mais fácil para os latino-americanos ter um espaço. No entanto, nunca me faltou trabalho. Tinha uma

Póster provisório do longa Trace, escrito pela atriz

agente que se mexia bastante, e trabalhei na rádio com a BBC muitas vezes; claro, era a latina, você sabe. Mas eu acho que era isso, essa luta, não sei, étnica, era como conseguir seu espaço e perceber que o fato de vir da Venezuela tinha sim suas vantagens, mas também era preciso saber como aparar as arestas para não se machucar.

AC. O fato de ter se envolvido com roteiro, produção e direção de curtas teve a ver com a falta de mercado ou foi fruto de uma inquietação que já vinha desde antes?
MB. Na verdade eu acredito que foi a vontade fazer algo bacana. Sem pensar muito, eu disse: “Quero fazer um curta”, mostrei a história para um amigo produtor e ele me disse: “Vamos fazer, eu o produzo junto com você”. Então foi assim: “Ok, e agora, o que a gente precisa?”. Fui me instruíndo na medida que ia passando o tempo. Quando percebi, já estava como produtora, diretora, atriz. É um trabalho muito forte, além do que apenas eu e meu produtor estávamos pagando os custos, sozinhos e do nosso bolso. Tudo era muito interessante, gosto mais da produção que da direção. Dirigir e atuar, acho que esse combo junto pode ser muito problemático. Mas eu me dei conta que tenho facilidades para produzir, me mexo, falo com gente, consigo coisas… Foi incrível descobrir isso.

AC. Chegando ao México você fez vários curtas, o primeiro deles foi No One Dies of Love. Como foi esse trabalho?
MB. Cheguei ao México em outubro e em novembro já estava filmando o curta, que agora está viajando por festivais. Acho que vai ao Chile, também à Rússia, porque o contato que eu tive no Festival de Cinema Latino-Americano da Rússia me chamou, aparentemente tenho um clube de fãs lá, o que eu acho muito engraçado. O curta-metragem é como um poema visual, é voz em off o tempo todo, o personagem não fala, e é uma menina que quando a conhecemos está no bottom, no fundo de todos os fundos, destruída de amor, ou seja, tem um mal de amor muito forte e toma um remédio que diz broken heart (coração partido) e faz uma viagem a todas suas experiências amorosas. Há uma cena na piscina, que é como citando desde o momento de quando você descobre o amor, desde a inocência. Foi uma cena difícil porque nunca me disseram que eu tinha que ficar nua até o dia em que filmamos, e eu queria morrer na hora, mas ficou super bonito e então ela vai passando por todas as etapas de amor e de amores que tenha tido com homens e mulheres. Foi muito legal. Fernanda (Rivero), a diretora, meio que deixou  o curta em algum momento mas agora voltou a trabalhar com ele. A gente fez a voz em off em espanhol também: mandamos em espanhol para a América Latina e em inglês para os Estados Unidos e Europa. Então ele tem duas versões e está incrível.

AC. E depois você fez outros curtas, também esteve no longa A Roleta dos Sonhos. Você tem feito muitos trabalhos no México…
MB. Sim, muitos, a verdade é que o ano passado foi bem cheio de trabalho, foi incrível. Também estive em uma produção muito grande de teatro, Sonho de Uma Noite de Verão, uma adaptação em espanhol de Shakespeare, que se apresentou no Teatro da Universidade Autônoma do México (UNAM), em um dos maiores e mais lindos teatros da cidade, o Miguel Covarrubias. Era um projeto muito interessante porque a UNAM, depois de muitos anos, quis apostar pela união das três cátedras: dança, teatro e música. Puseram-se de acordo e fizeram uma seleção gigante, em

Na peça Sonho de Uma Noite de Verão, dirigida por Juliana Faesler

todo o país, para escolher os atores e dançarinos; a orquestra já estava eleita. Depois de um período de quatro dias de testes, me disseram que eu era parte da companhia e começamos a ensaiar. Ensaiamos a peça por três meses e nos apresentamos pouquíssimo, mas o público ficou super feliz, nos pediram uma segunda temporada e agora estão preparando a terceira para fazer uma turnê pelo país.

AC. ¿Você tem planos de filmar na Venezuela?
MB. Acabo de fazer um casting, me chamaram de Los Angeles, da produtora Hook Brothers, são uns venezolanos que vivem lá e acabam de fazer um roteiro que se chama Papita, Maní, Tostón (Batatinha, Amendoim, Crouton). Não sei se você sabe que quando se joga beisebol na Venezuela, os vendedores gritam “batatinha, amendoim, tostão”, é a única coisa que se escuta no estádio. É como uma versão de Romeu e Julieta. Romeu é quem torce para os Leones (Leões) de Caracas e Julieta torce para os Navegantes de Magallanes. O beisebol é gigante na Venezuela, é como o futebol no Brasil. Então me falaram pra fazer esse casting, eu entrei em contato, não pudemos nos ver na Venezuela em dezembro, fui para lá em 14 de março, até o 19, fiquei cinco dias e fiz o casting em Los Angeles para o personagem principal do filme, que está esperando a resposta do CNAC. Se tudo sai bem, será filmado em agosto.

AC. Mas você terá no México a sua base central, certo? Você vê seu futuro na América Latina?
MB. Pelo momento sim, o México está muito bem localizado, há muito trabalho, então eu tenho tudo aqui, você sabe. E eu adoro a América Latina, me sinto muito mais em casa do que me sentia na Inglaterra, muito mais. Eu vejo meu futuro com base na América Latina, viajando muito também. Por exemplo, esta situação do filme é ideal, uma coprodução com a Inglaterra; adoro filmar lá, adoro os atores ingleses, eles têm um tom que eu gosto muito, mas também adoro poder vir até a América Latina e ficar aqui.

One comment

  1. [...] Originalmente publicado el 22 de abril de 2011 l Esta nota en portugués [...]

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